evoluí tanto musicalmente.
quando era adolescente, sonhava, como a maioria, em ter uma banda e mostrar meu talento como músico e letrista. ficar conhecido, mudar o mundo e me matar.
tirando a parte do suicídio, desisti do resto.
no fundo sempre quis me matar. mas não queria que fosse uma morte qualquer, tinha que ter um contexto.
e qual contexto seria melhor que em uma banda de rock?
acho q na verdade nunca quis mesmo me matar. carrego este fardo desde meus oito anos, quando cultivei a culpa pela morte da minha mãe e desde então me penitencio com isso como se fosse um castigo.
ponto pra mim. pelo menos já reconheço meus traumas.
daqui pra frente, não sei mais o q fazer. não sei como curá-lo.
ninguém nunca me entendeu. nunca entendeu o que guardei no meu inconsciente e continuei seguindo minha vida, sabotando a mim mesmo e minha felicidade. nunca fui feliz. é certo até que os seres humanos em sua maioria não são felizes. mas eu não me encaixo nessa média. sempre vivi na tristeza total, com pouquíssimos momentos de equilíbrio.
da 'profissão' dos suicidas comecei a gostar e hoje, quase vinte anos depois, ainda sonho em montar uma banda.
talvez porque meus ídolos tenham se matado aos 27 anos e estou quase chegando lá. talvez por ter muita coisa escrita e composta, deixando-me na extrema necessidade de produzir. talvez os dois.
sou tímido, ou melhor, introvertido.
e isso sou de mais.
em meus momentos de depressão fico meses sem sair de casa. e isso não é um exagero.
minha timidez não baseia-se apenas no falar, ou na falta disso.
não consigo sair de casa se achar que estou chamando muita atenção, não consigo fazer coisas simples, como ir à padaria comprar pão se não me sentir bem.
e o pior, não consigo tocar, cantar e fazer o que mais gosto se não conhecer bem as pessoas.
aliás, não consigo me abrir à ninguém se não conhecê-lo bem.
-como montar uma banda então se não consegues tocar com ninguém?
aí é que tá. existem músicos babacas como em qualquer outra carreira. eu não entendia isso. não entendia como eu travava, apesar de anos de estudo e muita técnica, com músicos não tão bons.
é como no futebol: nunca gostei de jogar com aqueles fominhas ou aqueles super-ultra fodões que na verdade eram grandes babacas.
nunca gostei de tocar com pessoas assim.
o que torna minha banda mais rara ainda.
é assim: cada ser humano é diferente.
conhecemos vários! aos montes.
mas sabemos realmente os pouquíssimos que confiamos.
conseguimos nos abrir com quase ninguém.
é o que acontece comigo na música.
tocar é uma arte. é uma forma de colocar o sentimento em notas musicais e emocionar. trazer felicidade, angústia, dor. isso é música.
por isso não acredito em bandas de cata-cata com músicos ultra fodas, que usam suas técnicas de milhões de anos de estudo mas não transmitem nenhum sentimento.
-e essa banda, sái ou não sái?
meus amigos não querem.
até querem, mas um está trabalhando na europa e outro tá enrolado com o estudo e o namoro.
minha solução pra isso é transformar tudo em uma banda de um homem só.
estou montando um pequeno estúdio na minha casa e pretendo trabalhar um pouco mais em minhas composições e gravá-las, sozinho, instrumento por instrumento.
dá trabalho. MUITO! mas é um sonho que quero realizar.
(pelo menos para colocar pra fora todo este sentimento guardado aqui, quem sabe assim eu desista da música)
5 de set. de 2016
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