8 de dez. de 2008

cego-burro-testamento [ou conversa (ir)real com o desconhecido]..

"é jumento!
imbecil.

prega-se em panos

mata-te humano

venha para a dor, acredite.

saia da rotina; vem pra menina
velho lobo traidor.

sai amor!
incendeia a lealdade
coincidência
amizade"

não existes!!!
estou só!
deixa-me agora
no argumento

te domino!
como sempre
meus batimentos controlo
minha vida tenho as rédeas

sái agora, dor!
e leva as vozes de minha mente.

no extremo cheguei, dominei, passei
não caio mais!
não te narro

poucos dominam-te
e eu o fiz

estou vivo. e feliz!

inspiração a alto custo..

Motor de carro velho.
Janta sem dormir.
Sono sem apetite.

GRITOS
a todo momento

banco em baixo d'água
quarenta graus.

volto, acordo, durmo.

é mentira.

finjo, atuo.

imundo.
falam-me: martelo.

atendo.

desligo.

dor. fome.

preto..... perto.... preto..... eu.

cruzam olhares com meu catarro.

repudiam à quem chorarão

espelho. pássaro. depressão.

sangue de alerta.

sentem-me.
e pega no colo:

paz, cama; televisão........................................................................................................................

passos ecoando..

Quanto mais machuco o ego, mais necessidade de arranhar-me ele tem.
Ouço passos ecoando no vazio. Vêm de longe.
Aqui, meu sapato apertado assusta.

O susto é maior nos caninos.
Medo transparecido. O exalar é pavor.

Dá à quem quer(,) o que aflinge(,) saciando-se na carniça dos necessitados.
Solidão.

Engana-se ao achar que está só.
Guerreiam com suas bombas a alma, o dorço, o pulmão.
Anjos e consciência. Ego e palavrão.

No amanhecer pede socorro.
Desiste no estalar da meia-noite.
-Vá a becos, bares, cartões de crédito!

Frio de necrotério.
Quase-morte!

Animam-me.

O banho é merecido.
Penitência, o castigo.

Escuridão!

Cortina sem janela.


Distância causadora de inveja

barulho de portão.

Piedade, sede; caminhão.

O óbito executado.

Tudo é chão.