18 de dez. de 2007

a simplicidade de algumas vidas compostas..

éramos reis.
nossas conquistas à base de sorrisos
nossas espadas e cavalos, abraços e carinho.
sonhávamos.

um corredor cheio de luzes cintilantes
pessoas e suas alegrias instantâneas,
comida azeda e peles esticadas.
vencemos a isso tudo!

agora éramos príncipes
em carruagens multicoloridas
em busca de pessoas que procuravam paz
saltávamos de nossos cavalos brancos com nossa espada do amor.

a calma em sua plenitude por completarmos um ao outro.
bastaríamos conosco mas conosco somente não queríamos
concentrar a real euforia da felicidade,
precisávamos construir um reinado de bondade..

antes, porém, éramos apenas pobres sapos
perdidos em um brejo sujo
até que um dia uma princesa nos trouxe esperança
e nos ensinou o caminho para tornarmos-nos reis.

eu e chico..


Debaixo daquela velha árvore torcida sentado no banquinho de tronco rústico o vi pela primeira vez.


Era outono e as folhas caídas no chão e outras tantas secas nos galhos misturavam-se com a brisa daquele final de tarde entoando uma sinfonia depressiva em minha mente.


Sempre fui um menino triste e solitário, minha timidez era apenas o agravante. Seu sorriso gracioso e sua felicidade faziam-me viajar para outras terras. Terras onde não haviam pessoas desgostosas da vida tampouco pais que espancavam seus filhos.

Seus olhos azuis, ainda lembro, ensinaram-me que o mundo não era tão injusto e que a morte não é a única forma de reconhecimento.

Fui feliz!





Por mais desgraçada que fosse minha vida agora meu companheiro abraçáva-me trazendo paz.

Jamais acreditei no amor.

Hoje o Semeio.





Meus olhos fundos sorriem levando embora aquela tristeza evidente.
Eu Aceito! Quero o mundo, quero à ti, meu amor!

Esse homem aqui agora tem planos. Escrevo sobre a liberdade, sobre a nova cidade. Aprendi a não mais ter que mentir.

Chico fumava. Se declarava a qualquer momento. Eu o admirava.
Eu sem o Chico sou ninguém. Ele sem mim é o Chico.
Minha busca havia terminado. Encontrei o que mais procurava nesta vida. Ele não...

Chico buscava algo que nem ele sabia. Quando falava, todos o ouviam, fosse no bar da esquina, no teatro ou na vida boêmia que levara.

Resolvi estudar música. Chico já a dominava bem e agora pintava. Lembro-me de um dia em que ele esculpiu-me em barro.

Nossa casinha era cada vez mais visitada. Conheci muitas pessoas importantes do Rio de Janeiro. Muitas outras o Chico não quis que eu conhecesse.
Alguns dias Chico não voltava. Em outros, voltava com amigas e amigos do teatro. Os amigos que ele mais gostava.

Certas vezes ele dizia que iria fazer um extra e eu ficava três, quatro dias fumando na janela à sua espera. Ainda assim quando ele voltava, era o mais carinhoso dos homens.

Agora eu amava o Chico mais que tudo. Ele também se amava mas não mais à mim.
Esqueci-me das vezes que ele me falara sussurrando que se orgulhava de mim.
Mais tarde, realmente, fui entender que ele havia feito muito bem a sua parte.

Um dia fiquei uma semana esperando-o na janela. Ele não apareceu.
Ninguém tinha suas notícias.
Fui no teatro, nos botequins, nos puteiros, na polícia e ninguém sabia do Chico.

Chorei.




Gritei para o porta-retratos que ele não prestava.

Que ele nunca mudaria.

Sofri.





Eu nunca quis entender isso. Chico não era meu. Não era do teatro, da música. Não era da cachaça, das putas.
Chico era do mundo mas fez o mundo ser dele.
E isso ele fez muito bem.

Meu Francisco, morto, agora lhe entendo.

Você não matou-se como fora dito nos jornais. Não foi engolido pelo vício, como disseram os amigos.
Seu rio desaguou e só...
Sempre o amarei como ele amou à todos: incondicionalmente.
Fico feliz ao ter certeza de que ele apenas foi levar sua alegria à outros lugares.

o nostálgico mundo das cores cinzas..

dissertar sobre algo real,
assim como enxergar neste nevoeiro
ou neste embaçamento onde o moço faz barulho..

tentar lembrar a idéia maravilhosa que tivemos há 1 segundo atrás.


não, não se assuste;
um dia também tudo cairá sobre ti
e o olhar de boa moça não será capaz
de retirar essa ânsia de algo que nunca vem.


retire-se daqui!

não és bem-vindo tampouco estes olhos que não mantêm-se quietos.


o champagne e o latido unificam-se

em um maravilhoso mundo de cores; tudo também é mais apurado.

eis que muito tempo depois, educo!
o sucesso é nulo como o esperado a princípio
mas teu grampo é verdadeiro e me intimida.


o breu limita-nos mas é o agora que confunde.

o nulo convida-nos à este mundo pobre.
até então saltamos desta inútil palíndrome
rumo ao desconhecido e, por que não, esquecido.