Se ela o engana ele toma para si mesmo a culpa, por não ter sabido ser um bom amante.
Desfaz-se em lágrimas por pecados que nunca cometeu.
Dono de uma sensibilidade e ternura imensas não deixa nunca de ser um personagem cômico.
Pierrot aparecia em toda a Europa como o arquétipo do artista ego-dramatizado, apresentando ao mundo uma máscara estilizada a simbolizar o artista criativo separado de um ser humano oculto.
Atrás da sua tradicional fantasia de larga blusa branca com uma fila de botões e mangas demasiado compridas, calças também brancas e compridas, chapéu bicudo e face coberta de pó, o Pierrot personagem foi assumindo diversos papéis ao longo do tempo: despreocupado, romântico infeliz, janota, decadente e encontrou enfim o seu destino, uma figura atormentada e brilhante, submersa num estranho mundo, interior e abafado.

Pierrot de August Macke
De influência expressionista, o concerto retrata o Pierrot como um herói solitário, lançado num ambiente psicótico, nostálgico e deprimente.
Além de mim, quantos mais não se identificam com toda essa estória do Pierrot?
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